Tudo é vaidade


Vaidade das Vaidades, tudo é vaidade. Nos últimos meses, os meios de comunicação ocupam-se em divulgar notícias que tem despertado debates inflamados e gerado polêmicas tão grandes quanto escândalos políticos: trata-se do Kit do Combate à Homofobia, chamado de Escola sem Homofobia, que o governo federal pretende distribuir já no segundo semestre de 2010 para combater a violência contra gays. O material composto de cinco vídeos em DVD, um caderno com orientações para professores, uma carta para o diretor da escola, cartazes de divulgação nos murais do colégio e seis boletins para distribuição aos alunos em sala de aula é dirigido a professores e alunos do ensino médio.

As pessoas que se opuseram a esse material estão sendo achincalhadas pelo público LGBT, são chamados de homofóbicos e estão na mira de exaltados protestos, e entre eles estão o senador Magno Malta, o deputado Jair Bolsonaro, e o pastor Silas Malafaia, que igualmente aos pró-kits, estão se manifestando de diversas maneiras contra o material.
Antes de mais nada, precisamos compreender o que está acontecendo em nosso país, antes de darmos declarações a respeito do tema.
Segundo reportagens recentes, o público gay movimenta cerca de R$ 100 bilhões em turismo em todo o mundo; na Parada Gay de São Paulo em 2006, por exemplo, 52% dos turistas se hospedaram em hotéis, gastando, ao todo, R$ 115 milhões. O governo de São Paulo, inclusive, está treinando recepcionistas e concierges da rede hoteleira para aprimorar o atendimento prestado ao público homossexual.
Ora, é uma mina de ouro. O governo brasileiro, aprovando leis que defendem os homossexuais, criam no país uma espécie de paraíso homossexual: nada de preconceitos, agressões, as manifestações de carinho serão aceitas... Além de gerar para o parlamentar uma infinidade de votos nas próximas eleições, é claro.
Eles são bonzinhos? Pensam no bem estar dos cidadãos homossexuais?
Sinceramente, tenho minhas dúvidas.
Isso se evidencia claramente no projetos de leis protecionistas, como é o caso das leis em defesa das mulheres, e de cotas para negros e afrodescendentes nas Universidades. Ora, não somos todos brasileiros? Aliás, falta agora proporem cotas para gays nas escolas de ensino superior, e isso não é deboche, é uma constatação.
O que o povo precisa entender é que não há nenhuma necessidade de cota, para ninguém. Esse tipo de conduta mascara o principal problema: o descaso com a Educação Pública. Ao invés de investirem na Educação em todos os seus níveis, infantil, básico, fundamental, médio e superior, e na formação de profissionais, cria-se uma política marketeira com verniz de heroísmo, e o povo aclama e agradece. Na verdade, leis de cotas ou defesa de classes discriminam mais do que proíbem preconceitos; é admitir em lei uma inferioridade que não existe. Agora, um paradoxo que se torna um dogma: Por que a Educação Pública em seus níveis iniciais tem uma situação tão degradante, e o Ensino Superior Público é tão almejado pela sua qualidade? Um diploma federal ou estadual é sinônimo de boa formação, muito embora quem os envergue geralmente seja oriundo do ensino particular, das camadas mais ricas da população. Uma injustiça que eles tenham um ensino melhor, nos níveis infantil, básico, fundamental e médio em escolas particulares, e nível superior - em universidades públicas.
 
Divagações à parte, ao se criar uma lei em defesa de direitos civis para homossexuais, proibindo coação ou violência física, psicológica, sexual ou patrimonial, constrangimento, tratamento diferenciado, e preterimento ou recusa em atendimento em qualquer estabelecimento, cria-se também uma redundância velada à Constituição, a lei régia: no documento isso tudo já está garantido, a todos os cidadãos. Todos. Cabe ao Estado assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem internacional, com a solução pacífica das controvérsias.
Tudo é vaidade. Nisso está incluído a garantia de votos, dinheiro, enriquecimento. Tudo é vaidade. Não há ninguém interessado no bem estar comum, e acreditar nisso é ser no mínimo ingênuo.
Não que eu concorde com tudo que o Deputado Jair Bolsonaro prega, mas assim como os homossexuais tem direito de se manifestarem, ele também o tem e todos os outros, não-homossexuais.
 
As pessoas com orientação sexual diferente não podem e nem devem ser discriminados e violentados, mas à segurança, todos tem direito, está previsto na Constituição. Portanto, não é de bom tom que o governo distribua cartilhas nas escolas ensinando que não se deve agredir gays, isso já é ensinado todos os dias pelos pais nos lares de todo o país, não se deve agredir a ninguém. À escola cabe ratificar o ensinamento moral que os pais dão a seus filhos e isso, inclusive, é o slogan de muitas delas.
Aos pais é facultado ensinar a seus filhos princípios de ética e moralidade, afinal, é a construção de um cidadão que se faz. Não aceitar discriminação e intolerância, não quer dizer que eles devem aceitar e ensinar que determinadas atitudes são normais, e isso é inegável. Os homens tem o direito de educar sua família de acordo com seus conceitos não preconceitos, que fique bem claro e o Estado não deve impedir isso. O desrespeito, a agressão e discriminação a qualquer pessoa deve ser punida exemplarmente, seja ela branca, negra, homem ou mulher, homossexual ou heterossexual.
Se as leis que já existem fossem cumpridas à risca, não haveria ao menos discussões sobre estes problemas, discussões estas divulgadas e promovidas pela mídia, em geral tendenciosa, com o fito de desviar a atenção do povo de problemas muito mais sérios. É engraçado como se trocam discussões acaloradas por causa de um kit homofóbico, mas quando parlamentares aumentam o salário em 62% a reclamação fica só a nível de bate papo de porta de botequim. Brasileiro nenhum se manifesta, faz marcha para Brasília ou movimento afim. Não é engraçado, é triste.
Se as leis que já existem fossem cumpridas à risca, não veríamos ninguém jogando filhos pela janela, agredindo pessoas com lâmpadas fluorescentes, as espancando até a morte, ou aumentando o próprio patrimônio em vinte vezes. O salário dos parlamentares, a impunidade de assassinos e fraudadores é uma afronta, um desrespeito à população, que trabalha de sol a sol ganhando um salário mínimo, morando sabe-se lá como, alimentando seus filhos sabe-se lá como. E ninguém marcha para Brasília.
A justiça brasileira não tem os olhos vendados, é caolha. As leis, os votos, e o dinheiro. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.

George dos Santos Pacheco
pacheconetuno@oi.com.br

Um comentário:

  1. Ensinar respeito e limites, é o que todos deveriam fazer, e não panfletagem.
    Seu texto está ótimo e muito lúcido.
    Também tenho visto em todos os setores essa tal vaidade. Por trás de tais atos "bondosos", quase sempre há o interesse em poder ou dinheiro ou ambos.
    E vendo todas essas coisinhas de tetro romano, dando pão e circo às pessoas - e elas delirando com isso, que é pior! - vão mascarando e tirando a atenção do que é realmente grande e preocupante.
    Ensinar respeito e pregar o fim da violência é corretíssimo e é também um dos deveres do Estado. Mas esse nosso Estado, de ações escusas, lança essas campanhas polêmicas a fim de eclipsar as ações graves, como por exemplo o holocausto ecológico que está por vir, com a construção da hidrelétrica em Belo Monte, que exterminará animais, vegetais e o que resta da cultura Xingu, e a venda do que resta de nossas matas aos pecuaristas.
    Essas são violências sem proporções que não se comparam com espancamentos a um gay, por exemplo. Ninguém deve ser machucado, de nenhuma forma, e menos ainda se deve levar a extinção milhares de vidas - entre elas humanas, tenha certeza, cedo ou tarde.
    Parabéns pela postagem!

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