Café Literário: O proprietário de XO-3B


Há tempo Jorge Wilbye trabalhava em uma teoria. Investigou todas as legislações possíveis, folheou a ficção científica apenas para se certificar que não estava louco. Sou um visionário. Dizia. Jamais ninguém reivindicou ser dono de um planeta. Portanto, estou pronto para qualquer batalha jurídica. Qualquer meandro astronômico possível. Encontrar uma forma de povoa-lo era de menos. Era secundário. Meu plano tem mais a ver com investimento. No futuro serei visto como aquele que trabalhou pelo bem de toda a humanidade e o futuro dos negócios nos âmbitos espaciais. Pensava convicto de seu lugar na história.

De fato, Wilbye estava determinado. O planeta em questão, além de ser absurdamente distante,era um potente exoplanetaextrassolar. A escolha não foi aleatória e sim estratégica. Afirmava Jorge Wilbye em seus rascunhos. - Em minha pesquisa, minha referência era Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar. Então, precisava de algo grande, belo, poderoso no qual causasse curiosidade em futuros investidores e corporações espalhadas pelo globo. O escolhido, além de ter sido considerado um dos planetas mais peculiares já descobertos fora do sistema, também me causou uma súbita paixão planetária. Refletia Wilbye sobre isso enquanto olhava para o espaço, as estrelas e rascunhava poemas de ordem caótica earbitrária. Ao lado de um vulcânico café em sua mesinha. Lá fora, crianças chutavam balões após voltarem de algum aniversário e jovens conversavamcalorosamente sobre alguma partida de futebol que terminara controversa. O universo, para Jorge Wilbye, era simples e promissor. - Pois bem, amanhã é o grande dia. Dizia, recolhendo-se na cama.

Todos os documentos foram devidamente guardados na pasta azul, levemente carcomida. Vestiu suas botas verdejantes e usou sua blusa com desenhos à Star Trek. Estava tudo devidamente bem colocado na mente. O que falaria e o que argumentaria. Mas encontrar um cartório para tamanha ousadia intergaláctica não era uma tarefa fácil. Pesquisou bastantes jurisprudências e casos em todos os cantos do estado e do país. Até finalmente ler sobre a fama do estabelecimento Neto Farias. O mesmo ficava em uma pequena cidade interiorana mineira. É esse! Disse e não perdeu mais tempo.

Wilbye chegou logo. Foi direto ao lugar.O Tabelião olhou desconfiado o estilo um tanto singular do jovem. O Cartório Neto Faria tinha uma não tão celebrada fama nos arredores da pequena cidade de Luminárias. O último caso foi o registro do menino “Pracinha Heroico da Paz”. Uma homenagem ao avô morto na segunda guerra. O cartório acatou e isso foi motivo de muitos falatórios na época em outros cartorários vizinhos.

- Meu senhor, o cidadão está reivindicando a posse de um planeta? Disse surpreso o eminente tabelião. Óculos turvos quase caindo sobre o nariz, certo suor solitário percorrendo as bochechas, um tom sóbrio nas palavras refinadas e uma calma num ar de sabedoria tabeliônica. - Sim, foi que o senhor ouviu. Está aí toda a documentação. É um planeta distante. Em nenhum momento de sua descoberta houve tal reivindicação de propriedade. Argumentava Wilbye. Naquele momento uma criança recém-registrando seu nome assustou-se. - Juan Crisóstomo, não chore. Dizia a mãe carregando-o até o colo.

- Temos um problema. Problema? Sim. Não registramos posse de planetas fora do nosso sistema solar. Que absurdo? Retrucou Wilbye. Quer dizer que não tomarei posse por uma risória burocracia típica dessas cidadezinhas mineiras? Opa. Não nos ofenda. No mais, para algo assim, tão, ousado; teria que buscar o apoio, sabe lá, da ONU, dos órgãos que tratam do assunto, NASA e afins. Para esses emitirem alguma certidão para o senhor. E tem mais. (Continuo o tabelião olhando para os documentos). Todos os planetas de nosso sistema solar estão devidamente registrados com seus respectivos donos. Pensas que foi o primeiro a tentar? Jorge Wilbye ficou pensativo por alguns segundos e um tanto surpreso.

- Caríssimo senhor tabelião.Começou em uma réplica o senhor Wilbye. A Carta as Nações Unidas já foi enviada. Foi enviada para a Suíça tem alguns dias. Eu garanto que vão me responder por ser um assunto sério. Tratado com respeito e com fatos irrefutáveis. Espero que até o fim do mês as célebres autoridades me deem legitimidade para agir como legal procurador daquele pedaço de terra no longínquo espaço. (É certo que umas das moças atendentes do cartório – riam - às escondias de Jorge)

Mas devemos ressaltar. Ele era firme em sua posição. Não demonstrava qualquer tipo de titubeação, medo, ansiedade e principalmente demência. Sua cópia da carta também estava bem escrita. Segundo a avaliação do tabelião. Dizia entre outras coisas que aquilo iria solucionar – num futuro remoto, porém inevitável - o problema de milhões de pessoas, já que, pretendia com os fundos da venda de XO-3B(era esse o planeta pretendido por Wilbye) ou da própria distribuição de suas quilométricas terras,garantir um lugar melhor para muitas famílias. 

- De fato, vejo que tens muitas convicções e é uma causa nobre, meu camarada Jorge...? – Wilbye. Sim, Jorge Wilbye. No entanto, vejo-me impotente para tal deferimento. Não posso aceitar tal manifestação de ilegalidade. Nosso cartorário é sério. Tem um nome a tratar com zelo e não podemos passar por sobre nossas convicções históricas. Júpiter, Saturno, Urano, infelizmente senhor Wilbye, todos já têm registro. Sentenciou o nobre Tabelião. Aceitas algum planeta anão? Disse o Tabelião Peixoto Farias com ar sóbrio. É o que sobrou dessa nossa galáxia.

Jorge Wilbye deixou o estabelecimento arrasado. Pensou em atear fogo aos documentos. Suas teorias, seus rabiscos matemáticos e contabilidade. Entretanto, esperou alguns meses pela resposta das nações unidades, dos governos, das unidades superiores. Porém, essa só chegou muito tempo depois. Em uma tarde ensolarada, enquanto Wilbye preparava sua luneta para quem sabe vasculhar novos lotes de terra não reivindicados. - Meu deus! Disse. Rasgando o envelope. (Era de um departamento de astronomia francês. Recepcionado pelo consulado brasileiro).

“Eminente senhor Jorge Wilbye,Recebemos com alegria vossa solicitação de posse de um planeta tão belo e magnífico em todo o nosso universo. XO-3b causa fascínio de fato. Entretanto, a hipótese de entregar-lhe é espantosa, porém, improvável para não dizer,impossível. No entanto, para não causar-lhe desconforto, oferecemos algumas estrelas, lindas e formidáveis estrelas nos arredores de Saturno. É o que temos para oferecer. Congratulações.”

- Magníficas Estrelas... 

A ideia de tomar posse de algumas estrelas animou um pouco a Jorge Wilbye. 

-Não se pode ter tudo. Disse. Começando a redigir a resposta positiva para envia-la para os condecorados doutores. Wilbye tinha um plano. Começaria como dono de estrela e com o passardos anos, seria finalmente o dono de XO-3b. Serei o primeiro homem naquele fabuloso lugar. Disse o grande Jorge Wilbye, um solitário visionário.


João Rocha
lllleno@yahoo.com.br

João Rocha. Paraense, 35. Tem um conto na antologia ‘A Mulher de Branco e outras mentiras verdadeiras’’ da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores. Tem textos publicados nas revistas virtuais Subversa, Avessa, LiteraturaBR, Walking in Briarcliff. É Servidor Público. 

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Café Literário: Não é hora

Não, não!
- novamente, digo, não, pare!
Não se mate!
Seus pés cansados, atordoados, espalhados,
acusam o chão de um crime terrível- 
não se jogue desse décimo andar, seu moço.
Olhe bem, pois na vida, vida se tem.
Não se pode chorar agora,
veja seu amor, quanto pudor,
carinho e afago, ela vem até você, descansar
não se pode saltar contra o cotidiano sem paraquedas;
                                                           você não morre, só vai.

E sua filha, pequena estrelinha, querida,
filial dos seus pensamentos mais secretos sobre o mundo.
                                           você não corre, só vai.

O que dirá a ela, senão, nada,
quando jogar-se-à diante disto, que é pouco, lodosa de poeira, asfalto, tristeza.
Não, não, não, não!
Ouça-me, ouça-me, ouça-me bem!
Não podemos querer tentar desistir da vida,
nem se quer receber a morte escolhida,
pois prantos muitos, serão daqueles
que te deram fé, já não se pode querer morrer com fé,
você é imortal, ser genial com tentáculos de luz!

                   Não, não tente, não vá, fique contente!

mesmo que o trabalho acabe, que a mente, mente,
você está aqui, no presente.
Então, não se morra, não é hora.

Brenno Castro
escritorbrennocastro@gmail.com
Brenno Ariel Da Silva Castro nasceu em Nova Friburgo, RJ, em 1999. Aos 13 anos, mergulhou no Mundo da Literatura e logo apaixonou-se pelos livros, principalmente pela Poesia. Inspira-se profundamente em Fernando Pessoa e em seus heterônimos, especialmente, Alberto Caeiro. Sente que sua vida também é uma inspiração. Como costuma dizer: "Para transformar uma fantasia em poema é preciso, antes, ter vivido".
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Eu preferi sair da sua vida pela porta da frente.







Entre idas e vindas, entre abrir e fechar a porta da nossa casa, eu preferi sair da sua vida, resolvi dar o último adeus de uma forma diferente, sei que da vida podemos esperar tudo, sei que nunca devemos dizer nunca para reencontros, ou para vivermos novamente algo, mas por enquanto não da mais, por enquanto meu viver tem outros olhos, olhos de um amor próprio que eu construir, não queria, mas a vida me mostrou que era o melhor a se fazer nesse momento, não te culpo de nada, e também não estou aqui para apontar culpados, ou culpar o tempo, a rotina enfim todo aquele circo que se cria, pelo contrário quero ressaltar que o que vivemos até aqui, foi bom, me mostrou muitas coisas e, pude viver momentos especiais ao seu lado, mas hoje, preferi sair da sua vida pela porta da frente de cabeça erguida.


Tenho a maior convicção que a saudade em certos momentos irá assombrar a minha mente, pois convivi com ela em certas partes do nosso relacionamento, sei que tomar café da manhã olhando para a outra cadeira vazia ao meu lado irá cortar meu coração, mas irá passar, eu sei disso, e assim vou seguindo, com dúvidas, medos, mas tive a atitude de sair de cena da sua vida no último ato do espetáculo, quando meu coração gritava por socorro. Mas sei que você irá encontrar alguém bacana pela sua frente, alguém especial que irá ser a soma da sua vida maluca. Sei muito bem que o calendário engolia as nossas relações, que o nosso sexo virou coisa repentina, e por certos momentos nenhum procurava o outro, e acabamos por nos esquecer. Sair da sua vida foi à esperança que encontrei no fundo do túnel, para mim e para você e muito mais para nós juntos.


Estou aqui com a minha caneca de café, escrevendo essas palavras para você, enquanto escorre algumas lágrimas de saudade, aquela mesmo que disse que volta e meia ela iria aparecer, pois bem, chegou, e está difícil de lidar, mas seguindo por aqui estou, depois de passado esse tempo todo que estamos afastados, sinto um alívio no peito, uma sensação boa que nunca imaginei que iria aflorar em meu coração, no nosso amor cíclico como qualquer outro, chegou ao fim. Então, o café está acabando e as folhas também, de tantas que já joguei fora, tentando iniciar essa carta.

PS: Nesse dia cinzento, encerro por aqui mais um capitulo das nossas idas e vindas. Pela porta da frente eu entrei e pela porta da frente eu saio da sua vida. 

Luís Fernando, escritor, colunista, jornalista. 
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Café Literário: Nova já não é Friburgo



Tenho saudade dessa gente que ainda não conheci.
E que não conhecerei, pois são memórias.
Mas essa saudade é coisa estranha.
Mexe com a barriga, com a cabeça e com os sonhos.

Fazendo-me desejar trazer novamente a vida de antigamente, onde o antigo trem passava trazendo poetas de lugares quentes.
Serra fria já não é, está quente embaixo do nevoeiro.

Como se alguém assoprasse um vento quente de raiva ou melancolia, deixando um espaço para o calor da gente aflita.
Mas hoje, minha gente caminha perdida na cinza do que é cotidiano!

Deixando o amor em baixo do pano de casa, saindo sem falar alegria, caminhando como quem encontra uma portaria antiga e foge, virando memória. – Como Nova Friburgo, memória não será, pois mora em mim.

Brenno Castro
escritorbrennocastro@gmail.com

Brenno Ariel Da Silva Castro nasceu em Nova Friburgo, RJ, em 1999. Aos 13 anos, mergulhou no Mundo da Literatura e logo apaixonou-se pelos livros, principalmente pela Poesia. Inspira-se profundamente em Fernando Pessoa e em seus heterônimos, especialmente, Alberto Caeiro. Sente que sua vida também é uma inspiração. Como costuma dizer: "Para transformar uma fantasia em poema é preciso, antes, ter vivido". 

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Escritora garante vaga na Bienal do Livro de São Paulo com campanha na internet

Lorena Brites vai representar a Região dos Lagos no maior evento literário da América Latina


Após meses de um intenso trabalho de divulgação na internet, a escritora Lorena Brites, 25, conseguiu arrecadar fundos para participar da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que vai acontecer do dia 26 de agosto a 04 de setembro no Pavilhão de Exposições Anhembi. Considerada a maior feira literária da América Latina, a Bienal do Livro de São Paulo terá na programação nomes como o do filósofo Mário Sérgio Cortella, a youtuber Kéfera Buchmann e a best-seller Ava Dellaira, entre outros sucessos da literatura, e também, a poetisa de Arraial do Cabo, que está orgulhosa pela conquista.

“Em 2015 representei a Região dos Lagos na edição do Rio de Janeiro, foi lá que o meu livro de poesias estourou e espero que em São Paulo não seja diferente”, contouLorena Brites. Além de fazer parte do megaevento literário, a autora ainda vai apresentar a obra poética “Acervo de Palavras” no Patuscada Livraria, Bar & Café, espaço cultural situado em um dos bairros mais tradicionais da capital paulista, a Vila Madalena. O pré-lançamento da obra será um dia antes do início da Bienal do Livro, no dia 25 de agosto a partir das 19h. “Essa é a primeira vez que sairei do estado do Rio, e fazer o pré-lançamento do meu livro no Patuscada será uma honra, pois desde o ano passado tenho conversado sobre essa possibilidade com o Eduardo Lacerda, dono do espaço e também dono da editora Patuá, e que vem lançando novos nomes na literatura nacional. Tenho certeza que esse evento me trará sorte durante a temporada na cidade”, disse animada.


Para chegar até a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Lorena Brites investiu tempo e muita determinação. Inicialmente lançou uma campanha de financiamento coletivo com intuito de arrecadar cerca de R$ 4 mil, mesmo sem sucesso continuou confiante e movimentou as redes sociais com vídeos de apelo sobre a sua meta. Fez rifa do próprio livro e montou um bazar na garagem de casa. A mobilização gerou bons resultados, a escritora da Região dos Lagos sensibilizou algumas empresas como a Auto Viação 1001, o Total Hotel, a Servgela Brindes, a Casa da Poesia, a Casa do Ouro, a estamparia Dedeco Arts, a Mais Comunicação Corporativa, o Clube do Marketing e a B Comunicação e Design, que estão a apoiando. 

“Empresários, amigos e até desconhecidos me ajudaram. Estou muito feliz em saber que tantas pessoas acreditam no meu trabalho e principalmente incentivam a arte no nosso país. Agradeço a todos que fazem parte da realização deste sonho”, declarou. A poetisa vai expor o livro “Acervo de Palavras” nos dez dias da programação da Bienal, no estande E083 da editora Autografia. Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho de Lorena Brites basta acessar a página (facebook.com/AcervoDePalavrasLorenaBrites).
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Concursos Literários: 3º Concurso Nacional Julio Salusse - Prosa & Verso

 
Mantendo-se em atividade ininterrupta desde a sua fundação em 22 de junho de 1947, a Academia Friburguense de Letras promove anualmente o CONCURSO NACIONAL JULIO SALUSSE, Prosa & Verso, tendo como objetivo incentivar o exercício da leitura e a criação literária.

O título homenageia o poeta Julio Salusse, patrono da Academia. A cada versão, um nome representativo da cultura brasileira será homenageado. Neste ano, o escolhido é o escritor Machado de Assis.

Prazo: Serão considerados os trabalhos recebidos até 21/outubro/2016.

Sessão de Premiação: 9 de dezembro de 2016 – sexta-feira.

Premiação: os três primeiros colocados em cada uma das modalidades – poesia e prosa – serão contemplados com:

1º colocado: troféu, certificado e R$ 500,00 (quinhentos reais).

2º colocado: troféu, certificado e R$ 300,00 (trezentos reais).

3º colocado: troféu, certificado e R$ 200,00 (duzentos reais).

Publicação: Os trabalhos vencedores poderão ser publicados na revista ou no anuário da Academia Friburguense de Letras.

Hospedagem: Será concedida aos vencedores provenientes de outra cidade.
 
Veja o Regulamento completo no blog da Academia Friburguense de Letras!
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Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
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