Carlos Henrique Abbud e Flávia Gonçalves lançam seu novo romance na Bienal Rio 2017


Depois de "Alice Black", os autores Carlos Henrique Abbud e Flávia Gonçalves lançam, pela Editora PenDragon, durante a Bienal Rio 2017, seu segundo romance em parceria: "A Vida é uma Tarde de Chuva".

Sinopse

Saiba que há um monstro escondido em Desídia. E ele se alimenta de vida interior.
Glenn está sozinha no mundo. Vive na estrada, entre pontos de partida e destinos igualmente irrelevantes. Imersa em seu nada, pega carona com um estranho escultor. Os dois sofrem um acidente, causado por um homem prestes a tirar a própria vida.
Ferida, ela é carregada para Desídia, um vilarejo misterioso e esquecido pelo tempo. Quando descobre que, ali, os sonhos, os laços e o amor cobram um preço alto demais, como sempre faz, decide fugir das pessoas, dos problemas, de tudo.
Mas sua vida pode mudar para sempre em uma tarde de chuva.


Sobre os Autores

Carlos e Flávia são casados, graduados em Música, pós-graduados em Artes Visuais e professores de Arte.
Carlos é professor universitário, designer e artista plástico. Publicou o conto “A Mulher de Vidro” na antologia “Tratado Secreto de Magia – Volume II”, da Editora Andross, lançada em 2011. Flávia é flautista desde a adolescência. Ambos são autores de "Alice Black - Princesinha do Inferno", romance lançado pela Editora Autografia durante a Bienal do Rio 2015, do conto "O Livro do Amor", na coletânea "Oito Faces da Diversidade, lançada em 2016, e dos contos "O Sinal" e "Entre Histórias" na coletânea "Nova Friburgo - Contos, Crônicas e Declarações de Amor", lançada no Festival de Inverno SESC Rio em 2017. Produtores da I Feira Cultural de Nova Friburgo e da Feira Literária da III Mostra UFF&Arte, realizadas em 2016.

A Vida é uma Tarde de Chuva é um lançamento da Editora PenDragon.

Mais sobre a obra
O enredo de "A Vida é uma Tarde de Chuva" é sobre aprender a encontrar felicidade em um mundo repleto de dificuldades e limitadas escolhas. É sobre tirar proveito de experiências simples, que podem significar muito.
“Nada sobrevive ao abandono”. Esse é o mote da história, que se passa inteiramente em Desídia, um vilarejo peculiar cujo passado glorioso deu lugar a um presente decadente, graças à inércia de seus habitantes. Ao mesmo tempo, mergulhamos fundo no universo interior dos personagens, suas visões de mundo e memórias da infância, o quanto as coisas vividas podem refletir no jeito como as pessoas são e encaram o mundo.
A presença de elementos fantásticos serve como metáfora para extrapolar situações e indivíduos facilmente identificáveis nas vidas de todos nós.
Como inovação, o livro introduz o conceito de artomancia – um sofisticado tipo de arte que funciona como uma sutil magia – e também apresenta os infestos, criaturas que, infiltradas entre os homens, alimentam-se exclusivamente de sonhos, expressões criativas e emoções.
Aos poucos, a protagonista aprende a olhar para fora, para os outros, e isso culmina com a descoberta do amor e de um propósito para a própria existência.


"Embora possamos encontrar muitos livros que nos levem a lugares inimagináveis e tramas que nos façam viver histórias jamais sonhadas, este, em especial, se destaca entre tantos outros. (...) Aliás, visitar Desídia (esse vilarejo remoto e cheio de mistérios onde a história do livro acontece) é peregrinar nos campos mais profundos que escondemos de nós mesmos. Felizmente, Valiante, o personagem que acompanha Glenn nesta jornada, também nos estende a mão para que tenhamos a coragem de conhecer os segredos que a obra traduz sobre a humanidade, sobre a constante guerra entre o bem e o mal, entre o que queremos para nós e o que permitimos que façam conosco."

Monara Eler Mendes
Professora, pedagoga, psicóloga e psicopedagoga clínica e institucional
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Sobre Escrever



Creio que escrever seja um dom que poucos têm. Saber escrever é uma arte única, onde abrimos janelas e deixamos pingos de nossos sentimentos voarem por todo o mundo. Na verdade acho a segunda coisa mais bonita do mundo, apenas perdendo para o teatro – mas se pensarmos as palavras também fazer parte do teatro não é mesmo?!

Um dia destes em uma aula na faculdade, o professor disse que a criatividade, chamado brainstorm (tempestade de ideias) é uma coisa que devemos praticar e que se adquire com muita prática. E isso me remeteu há 8 anos atrás quando comecei a escrever pequenos textos, e analisando de lá pra cá, cara como eu melhorei, como amadureci e cresci. E não digo isso somente pelos textos, como pessoa também. Errei, mas errei muito. Fiz cada cagada federal, textos pesados, e coisas que até eu tenho vergonha de ler hoje. Mas escrever foi se tornando um hábito, e cada vez adquirindo mais confiança. Os textos só foram se tornando uma extensão de mim e crescendo junto. - A diferença de textos de hoje e de 7, 8 anos atrás é grande.

Conversando com uns amigos na sala sobre esse assunto e em como é difícil às vezes pensarmos, e desenvolvermos ideias para está sempre em atividade, é difícil pracaralho. Tem dias que a gente quer escrever, precisa, pode espremer o cérebro que dali não sai nem suor. E há dias também que estamos, sei lá, tomando banho, transando, comendo, assistindo uma aula chata ou admirando alguém, de repente aquele time. Pronto, corre e pega caneta, folha, anota no celular, o que estiver disponível na hora, põe uma música - porque pra escrever tem que ter música -  e “Tcharam”, poema, contos, crônicas, textos, fresquinhos.

Com 8 anos de experiência escrevendo e aprendendo essa arte, posso dizer que escrever é um “time” que adquirimos com o tempo e que vamos aprimorando a medida que vamos expondo nossas ideias. Hoje mesmo, por exemplo, foi um dia que no chuveiro pensando sobre o que escrever, já que a maioria dos textos é por amor, queria escrever algo diferente, me veio esta questão na cabeça. Por que não? E cá estou eu escutando Leoni e divagando sobre como é escrever na minha visão.

Escrever é simplesmente poesia, por um pedacinho da gente em cada vírgula, cada ponto, cada palavra. As pessoas me perguntam de onde tiro espiração para escrever e se minhas histórias são verídicas e eu digo em tom de brincadeira que é segredo, tão segredo que nem eu mesma sei na verdade. Tiro pra mim o que um escritor sempre diz, “Sempre há um pedacinho de mim em cada texto, às vezes verdade, outras não.” E acho que escrever é isso, essa paixão que me move que me instiga, esvazia a mente muitas vezes, meu pequeno depósito. Escrever é uma forma de amor, assim como quem cozinha.




Alice Bennet 
Contato: daricanedo.c@outlook.com 
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Como assistir a um filme na TV


Parece tarefa fácil, mas não é não. Quando eu era garoto, era mais difícil ainda, é bem verdade. Tínhamos um único aparelho, um caixote pesadíssimo, com partes de madeira, em preto e branco (em que se colocavam telas coloridas por cima), que sintonizavam – quando sintonizavam – apenas quatro canais. De vez em quando o pai subia na laje e virava a antena “espinha de peixe” para melhorar a imagem: “Tá bom agora?”, gritava lá de cima; “Tá bom!” / “Tá ruim de novo!”, a gente respondia.

Voltemos ao futuro. Hoje, a minha TV tem uma série de canais, mas é praticamente monopolizada por programas infantis. Mal consigo assistir a um jornal em minhas horas de folga. Alguns desenhos animados chegam a ter uma temática adulta, para envolver a família toda, inclusive. Então, se eu quiser assistir a um filme com a esposa na televisão, a melhor forma é depois de as crianças dormirem (assistir a um filme no cinema pode custar até umas 80 pratas, sabia?).

Primeiro passo: colocar os filhos pra dormir. 

Lanchinho, dentes escovados, oração, e uma historinha lida em grupo. Deus abençoe, durmam com Deus. Com as crianças deitadas, se você não fez isso antes, procure um filme bacana na grade de programação dos canais disponíveis.

Segundo passo: procurar um filme bacana. 

Filme escolhido, começa em cerca de meia hora. Agora o terceiro passo: preparar um lanchinho.

Com as crianças deitadas, filme escolhido e lanche preparado, sente-se com sua mulher no sofá e converse um pouco sobre as coisas do dia a dia: o trânsito ruim, o pito que ela precisou dar no mais velho, o gás que acabou no meio da preparação do almoço… Opa, isso é coisa rápida, as logos da produtora e associados já estão aparecendo na tela. E você precisa conseguir um outro momento para conversar com sua esposa sobre o dia a dia, com mais calma, não é? Isso é coisa séria.

O filme contava a história de um grupo de adultos de meia idade que voltam à cidade natal para um encontro da escola do Ensino Médio, ou High School, na película americana. O personagem principal era um dos únicos casados e vivia uma crise com a mulher, e a presença de ex-colegas de escola o deixava em situações embaraçosas. Uma comédia bacana. Esperem aí, o Jim vai falar alguma coisa: acabou de encontrar com uma moça de camiseta transparente e short curto, o cabelo amarrado em um pesado rabo de cavalo.

– Amor, baixe o volume, vamos acordar as crianças… – disse minha esposa. Não ouvi o que Jim falou.

Não reclamei e baixei logo o som da TV. As crianças, a essa altura já deviam dormir pesadíssimo. Não, espere aí: o mais velho está acordado, está se remexendo na cama.

Jim e os amigos combinaram uma festa, como nos tempos de escola. A tal moça, da qual ele foi babá quando jovem, é vizinha de seu pai e está dando o maior mole para ele e…

– Mãe…

– Você ouviu?

– Ouvi o quê?

– Estão chamando…

– Não tem ninguém chamando.

– Tem sim.

– Mãe…

– O que foi meu filho?

– …

– Posso ligar o ventilador?

– Pode, meu filho, pode sim. – me adiantei para concluir a conversa mais rapidamente. Aproveitei a desculpa do barulho do ventilador para aumentar um pouco mais o volume. Minha mulher acatou, sem se incomodar.

Caramba! Típica comédia adolescente americana: a coleguinha do Jim ficou peladinha. Bêbada, está atacando ele dentro do carro; Jim tenta se esquivar, sem sucesso, mas ela desmaia embriagada. Jim precisa de sua mãe… Espere aí, mãe?

– Mãe…

– Estão chamando de novo?

– Estão.

– Mãe?

– O que foi, meu filho?

– Me dá um copo de água?

– Sim, filho. Um copo de água e ele dorme. Com certeza. O copo de água não falha nunca. O Jim… porra, cadê o Jim? Já está falando com a esposa em casa. Não entendi o que ele disse, o assunto não tem pé nem cabeça. Vai ver fazia sentido com a cena anterior.

– Boa noite, filho!

– Boa noite!

– Boa noite, filho!

– Boa noite, pai!

Agora sim. O garoto dorme e a gente consegue ver, finalmente, o filme. Minha esposa acabou de comentar alguma coisa que aconteceu hoje; eu ouvi, mas não escutei. Na verdade, não faço a mínima ideia do que ela disse – e se eu perguntar, vou tomar um esbregue. Pergunto ou não pergunto? Não pergunto. Vamos ver o filme.

Jim, com problemas no casamento e tentado pela vizinha gostosa, pede conselhos ao pai. “Sai da minha casa!”. Ahn? Como assim “sai da minha casa”? Jim e o pai sempre se deram tão bem…

Sai da minha casa!

Você é um vagabundo!

Para com isso, olha o que você está fazendo!

Eu não estou nem aí…

A mulher berrava totalmente descontrolada com o ex-namorado, com o qual tinha um filho. Levantei-me do sofá e me aproximei da janela, afastando a cortina com a ponta dos dedos. Sim, era isso. Quando estavam juntos, se desentendiam com frequência, mas agora, após ele ter arrumado uma nova namorada, a mulher passou a ter crises de ciúme em público.

Some daqui!

Você está ferrada, sua vagabunda! Nem pensão ele dá para o filho!

Sentei-me novamente e aumentei o volume da TV. O pai de Jim o aconselhava, ele precisava se entender com a esposa, afinal de contas. Usou como exemplo a vida dele com a mãe de Jim, antes de seu nascimento. Viviam como jovens namorados, mas com a chegada do filho, tudo mudou. As prioridades são outras, inclusive o marido passa a ser uma segunda prioridade para a mulher e Jim precisava ser paciente e maduro para compreender a situação. “Vai embora!”

Não faz isso!

Veja os meus braços… você me agrediu! Vou te denunciar! Você está preso!

– Não é possível! – murmurei incomodado. – O síndico não vai fazer nada?

– Mãe…

– Você sabe… em briga de marido e mulher…

– Ninguém mete a colher? Mas isso aqui é um condomínio!

– Mãe?

– O que foi, meu filho? Vai dormir! – determinei gesticulando o controle da TV na direção do garoto.

– O que está acontecendo?

– Jim, você me agrediu!

– Não está acontecendo nada! Vai dormir!

– Nossa, como você é grosso!

– Eu não fiz nada. Você invadiu minha casa, está me fazendo passar vergonha diante de meus vizinhos e ainda arranhou os braços para me acusar.

– Pai, eu já não sei o que fazer!

– É só um casal brigando, vai dormir!

– Sabia que já passa das dez?

– Eu quero que se fooooooooooda, queridinho! Você, essa vagabunda e todos os seus vizinhos.

– Jim, estou apaixonada por você, vamos relembrar os tempos em que você cuidava de mim?

– Não aumente mais o volume.

– Vai adiantar o quê? O garoto já está acordado!

– Mande ela sair daí! Ela está com medo? Mande ela vir aqui fora!

– Vai embora!

– Eu só vou embora depois que ela sair daí e vier falar comigo. Aliás, vou começar a quebrar tudo aqui, até ela aparecer. E vou começar por esse carro preto…

Poxa vida, isso não tem hora para acabar não? Organizei-me para ver esse filme e a ex-mulher do cara ainda resolveu quebrar tudo. O síndico, a essa hora, está dormindo pesadíssimo e ninguém vai meter a colher nessa briga… opa… espere aí! Ela disse “carro preto”?

– Ela disse “carro preto”?

– Disse sim… – respondeu minha esposa com os olhos vidrados na TV.

– Mas o carro preto é nosso! – esbravejei, levantando de um salto.

– Mas… e o filme?

– Que filme?

George dos Santos Pacheco
georgespacheco@outlook.com
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Literatura Urbana


O que é a Literatura? Onde vive? Do que se alimenta? Essas e outras respostas na sexta-feira, no G* Repórter.

Meus amigos devem achar que sou um tanto maluco. Vá lá, talvez o escritor seja um tipo de patologia psicológica. O fato é que eu vejo literatura em todo lugar. Sim, em todo lugar. Em paredes, muros, paralamas de caminhão...

Isso mesmo! Ou você acha que a literatura está só nas grandes editoras, cara pálida?

Sinto desapontá-lo, mas embora tentem fazer acreditarmos nisso, não. A Literatura é tão variada em gêneros e plataformas que seria no mínimo injusto desconsiderá-las. Veja o caso das poesias de rua, essa literatura urbana pichada nos muros com a assinatura de Gilson. É poesia, é literatura, da forma mais natural possível, publicada e acessada por muitos há anos em Nova Friburgo. Merecia um Jabuti pelo conjunto da obra.

Infelizmente, ainda temos muito preconceito com o que não circula pelas grandes editoras, pela chamada Literatura Tradicional, os grandes nomes. Há uma espécie de hierarquia consentida entre essa e o que é publicado em editoras por demanda, plataformas digitais, por autores independentes, pela literatura oral, nos muros e paralamas de caminhão. Aliás, ela nasceu nua e livre, nas paredes das cavernas e ao redor de fogueiras. A Literatura é livre e não cabe em capas, rótulos ou em prateleiras. Ela é livre e está em todo lugar.

George dos Santos Pacheco
georgespacheco@outlook.com
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Resenha: Nova Friburgo: Contos, Crônicas e Declarações de Amor


Trovas para Nova Friburgo

"Jardins Suspensos" na serra
dentro da Serra do Mar,
é o céu mais perto da terra
que a gente pode encontrar...

Na palma da mão de Deus
fica Friburgo-a cidade
a quem ninguém diz adeus...
(Ao partir, se diz:saudade...)

(J G de Araujo Jorge)

Nova Friburgo está prestes a comemorar seu aniversário de 200 anos. Em 1818, o rei de Portugal, residindo no Rio de Janeiro decidiu, por decreto, criar uma localidade na serra fluminense para receber um grupo de colonos vindos da Suíça. 

A partir desse fato, tradicionalmente começa a se contar a história da cidade de Nova Friburgo. Inspirado por essa data comemorativa e a exemplo de iniciativas literárias semelhantes em outras cidades, o escritor George dos Santos Pacheco teve a ideia de reunir amigos escritores que desejassem exercitar seus talentos e escrever textos diversos em que a cidade fosse, de algum modo, o foco. Daí nasceu o livro “Nova Friburgo – contos, crônicas e declarações de amor”, apresentado com uma bela capa de criação artística dos também escritores Carlos Abbud e Flávia Gonçalves.


Nesta obra, os leitores encontrarão 

Alberto Lima Abib Wermelinger Monnerat que abre o livro, contando, em forma de relato, a vinda dos colonos suíços para Nova Friburgo, de acordo com o que a historiografia registrou; seu interesse é genuíno – ele mesmo descende de um desses colonos. 

Ana Beatriz Manier nos brinda com um conto ambientado na sala de aula do colégio "mais tradicional da Fribourg brasileira, como meu professor de francês faz questão de dizer". Fica a cargo da imaginação do leitor (ou do seu conhecimento) descobrir qual é, bem como se identificar com a narradora-personagem nas suas contradições adolescentes. 

Ania Kítylla traz um conto de suspense com pitadas de erotismo, cujo enredo se desenrola num bar em Nova Friburgo. Amor? Paixão? Traição? Esses e outros ingredientes vão preencher a imaginação do leitor. 

Anna Braga Asth nos relembra à noite da tragédia climática, em janeiro de 2011 que assolou a região serrana do estado do Rio e atingiu Nova Friburgo dramaticamente; em sua crônica, a autora propõe uma reflexão de fé. 

Carlos Abbud nos traz um conto com gosto de melancolia quando nos reencontramos em pleno presente com um passado que, há muito distante, não pode retornar. Presente e passado na mesma Nova Friburgo; presente que segue e deixa o passado – outra vez – passar. 

Flávia Gonçalves trata de dúvidas e coragem no conto que faz referência a uma escola e a um shopping em Nova Friburgo. Sua história mostra uma personagem com medo de enfrentar seus próprios desejos e o seu encontro, ao acaso, com o incentivo que a encoraja. 

George dos Santos Pacheco surpreende com um conto que passeia entre o suspense e o terror, numa bela casa que se revela mal-assombrada no pacato distrito de Lumiar. O coração vai da tranquilidade ao sobressalto em poucos parágrafos. 

Ordilei Alves pinta o livro com cores quentes apresentando um conto erótico cujos personagens – uma jovem e um homem maduro – reagem aos estímulos sensoriais numa narrativa excitante. 

Pela narrativa de Robério Canto, podemos passar por vários locais de Friburgo enquanto a personagem, em fúria após uma briga com o namorado, trafega com seu carro de Furnas ao Cascatinha. Durante o trajeto, o narrador vai nos revelando os dramáticos sentimentos da personagem, numa intensidade que vai acompanhando o caminho trilhado. 

Solano DellaMuerte nos relembra o calcanhar de Aquiles de Nova Friburgo: os temporais que causam as cheias dos rios e os transbordamentos pelas ruas que, muitas vezes, além dos estragos materiais ceifam vidas. A narrativa é sobre os que ficam e o que fazem com os que se vão. 

A crônica de Tereza Cristina Malcher Campitelli é de grande beleza, retratando um local de Nova Friburgo cheio de verde, flores e cães – todos muito bem apresentados no texto, assim como os relatos com toques de doce nostalgia.
Por fim, Thales Amaral nos lembra do mercado de flores de Nova Friburgo e as coloca de modo significativo no seu trágico conto de amor.

Os nascidos e moradores de Nova Friburgo certamente reconhecerão os locais citados e terão sua própria memória afetiva estimulada, trazendo lembranças de momentos passados nesses lugares e ambientes. 

Aos que tiveram em mãos este livro e não tiverem ainda conhecido Nova Friburgo, talvez a leitura aguce sua curiosidade. 

Na cidade de tradição literária, onde renomados autores estiveram em momentos distintos e experimentaram escrever sob o agradável clima das montanhas; na cidade que anualmente recebe trovadores de todo o Brasil que expressam em versos seus sentimentos e divagações – nesta cidade, não poderia deixar de nascer uma obra que reunisse, em diferentes gêneros, escritores de várias idades para prestarem sua homenagem a Nova Friburgo. 

Que os leitores encontrem-se nas páginas do livro, ao reconhecerem lugares, se identificarem com personagens e narradores e desfrutarem de uma leitura diversa em temas e enredos. 

Ganham os escritores; ganham os leitores – ganha Nova Friburgo, terra de todos nós.

Márcia de Souza Silva Lengruber Lobosco
Professora e Pedagoga

Projetos Café Literário, Quartas Literárias e Encontro entre Escritores. Curadora e mediadora do Clube de Leitura Conectivos e curadora da Festa Literária de Nova Friburgo (FLINF).
lobosco.marcia@gmail.com
facebook: Márcia Lobosco
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Lançamento de Livros: Nova Friburgo: Contos, Crônicas e Declarações de Amor


O livro mostra escritores friburguenses, alguns jovens, outros já bem vividos, que se declaram pela nossa linda terra. As manifestações se apresentam de muitas maneiras, pois ninguém é igual. Escrever é um ato solitário que prende o autor diante do computador às vezes por muitas horas seguidas. A criação de um conto ou um capítulo de um romance é algo quase hipnótico, inebriante. Daí a singularidade deste livro ao mostrar a diferença de visões que surgem de autores que trazem muita, ou pouca experiência de vida. São obras literárias que retratam o pulsar do coração friburguense, não importando a idade. Compartilhem conosco esse inusitado prazer. - Ordilei Alves

Prefácio: 

Márcia Lobosco 

Textos: 

Alberto Lima Abib Wermelinger Monnerat 

Ana Beatriz Manier 

Ania Kítylla 

Anna Braga Asth 

Carlos Abbud 

Flávia Gonçalves 

George dos Santos Pacheco 

Ordilei Alves 

Robério José Canto 

Solano DellaMuerte 

Thereza Cristina Malcher Campitelli 

Thales Amaral

Nova Friburgo: Contos, Crônicas e Declarações de Amor é um lançamento do Clube de Autores

O livro tem lançamento marcado para o dia 05 de agosto de 2017, logo após Roda de Leitura com a mediação da Professora Márcia Lobosco, na Biblioteca Sesc de Nova Friburgo, que fica na Av. Pres. Costa e Silva, 231 - Centro, Nova Friburgo - RJ.
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Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
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